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MEIA MARATONA DE SEUL

José Pedro Baptista

Autor do blog Correndo com Zátopek

Data de publicação: 12/06/2018

Corridas em Seul há quase todas as semanas, mas as que cortam estradas e causam transtorno aos automobilistas contam-se pelos dedos de uma mão. A Meia Maratona de Seul é um desses dedos e de passagem obrigatória para as gentes da corrida. Com partida em Ganghwamun, o mesmo local de onde começou a maratona de Março, as expectativas de casa cheia cumpriram-se, com as 10.000 inscrições, divididas entre 21.1 Km e 10 Km, a esgotarem com um mês de antecedência.

Como é costume, o kit do atleta foi recebido em casa, com a habitual revista com todos os pormenores da corrida e uma camisola da FILA, que era uma marca italiana mas foi comprada por coreanos. Na distância principal, dos cinco blocos de partida, o "A" estava reservado a quem apresentasse um diploma sub-1h30 (meia maratona) ou sub-3h00 (maratona), sendo os restantes "B" a "E" definidos por ordem de inscrição. Foi um dia especial porque, pela primeira vez numa meia maratona, pude partir no primeiro grupo. Talvez por ser necessário enviar o comprovativo do tempo e algumas pessoas se terem marimbado, quando entrei no meu bloco, cedo como é meu hábito, deparei-me com uma dúzia (literalmente) de corredores. Com vários milhares de pessoas atrás de nós, olhámos uns para os outros, dando a entender que a distinção era manifestamente exagerada. Até à hora da partida, foram chegando a conta-gotas mais atletas; penso que não éramos mais que cem, espalhados à largura da praça, pelo que quase todos partiram da fila da frente. Ao estilo mamediano, olhei para as pernas dos meus concorrentes: tão lisas, amaciadas e reluzentes, só faltavam ser negras. Mas o patinho (ursinho?) feio, homem da caverna ibérica, lembrou-se que "eles são todos assim..." a tempo de se recompor, concentrar-se, e partir sem constrangimentos.

As condições no dia da prova não eram as ideais. Para além da qualidade do ar não ser a melhor, a temperatura subiu cinco graus entre o início da prova, às 8:00 (14ºC), e as 10:00 (19ºC), com o sol a penalizar quem demorasse mais tempo a cortar a meta. O vento, que soprou desordenado, também chegou a incomodar, principalmente na travessia de pontes (duas) que separam as margens da cidade. Finalmente, para além das subidas aos tabuleiros das pontes, houve também, logo no início, uma descida demasiado acentuada para ser confortável, compensada por subidas curtas mas desgastantes, a obrigar a ajustes na respiração e passada (nota: relativizem estes queixumes, que eu divido os treinos entre a passadeira do ginásio e ciclovias à beira-rio). O facto de grande parte da corrida se desenrolar em estrada aberta – três a quatro vias em cada sentido, onde é fácil "perdermos-nos" – e haver várias curvas, umas mais, outras menos apertadas, aconselhava a manter as tangentes (algo que reparei poucos fazerem, apesar de não haver congestionamento).

O ambiente foi agradável. Contei quatro ou cinco pequenas bandas, ou jovens a cantar a solo. Mas o momento alto aconteceu no "túnel-discoteca" a meio da prova, onde a música, luzes e fumos têm fama de excitar pernas. (In)felizmente, estava sozinho na minha passagem por esse espaço de diversão e o YMCA dos Village People não me desorientaram, mas imagino que para alguns milhares tenha havido festa rija. De resto, a chegada era noutro ponto da cidade, junto ao Estádio de Seul (construído para o Mundial de 2002), o que levou a maior parte dos curiosos a concentrarem-se no último quilómetro.

Talvez por ter ficado mal habituado com os pontos de abastecimento na maratona, esse aspecto desiludiu-me: para além dos poucos metros de mesa em cada estação, os copos vinham com muito pouca água e as prometidas esponjas, que naquele dia davam tanto jeito, não se viram. Acabei por beber muito pouco, nunca tive o prazer de entornar água na cabeça, nem pentear-me e tirar a caspa dos ombros com as esponjas. O último terço da prova foi feito com um sofrimento que podia, e devia, ter sido menor. Para compensar, o saquinho entregue na meta trazia, para além de um bom menú (água, sumo, banana, bolo de feijão) e da medalha, um prémio finisher muito útil: uma bolsa de cintura muito leve, perfeita para treinos longos. Duas semanas mais tarde, recebi em casa o diploma com uma capa muito janota.

Resumidamente, foi uma bela corrida, com uma organização bastante competente mas não imaculada: enquanto o sistema de recolha e entrega de milhares de sacos em pontos diferentes funcionou na perfeição, a hidratação deixou a desejar.

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