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CAMPEONATO NACIONAL DE ESTRADA / CORRER COM OS CAMPEÕES

Nádia Santos

Autora do blog Running vs Science

Data de publicação: 23/01/2018

Como assim, a Nádia escreve sobre uma prova mais a sul? É verdade, parece que o destino (mais propriamente a entrada na Federação) me levou até ao Jamor para correr com os verdadeiros campeões e pude assim ter o prazer de vos escrever o meu testemunho.

A chegada ao Jamor é de facto aliciante. Acho que não deve haver desportista algum que não nutra uma paixão imensa pelo parque. Desde o Estádio Nacional com a nossa maravilhosa pista de atletismo, passando pelas piscinas, pelo parque de minigolfe, futebol, ténis… É um mundo para a malta do desporto! Mas desengane-se quem considera que o Jamor é só para desportistas… O ambiente familiar é fantástico, um local repleto de ar puro onde é fácil levar as crianças a correr ou a andar de bicicleta. Uma verdadeira jóia no nosso país.

 

Foi na hora do aquecimento que eu comecei a ver realmente onde me fui meter! As juniores e seniores partiram 10 minutos mais cedo, pelo que a pista se encontrava cheia de atletas femininas a aquecer. Posso dizer-vos que nunca me senti tão pequenina, mas ao mesmo tempo tão grande. De facto, ali, correm os campeões. E bastava ver isso na forma de aquecimento daquelas atletas. Uma técnica de corrida incrível, pernas esguias e compridas… É difícil não pensar que vamos chegar em último lugar.  Mas não era isso que importava… O que eu queria mesmo era viver a experiência de poder partilhar a estrada com grandes nomes como a Sara Moreira.

 

O tiro da partida deu-se no estádio. Senti de imediato um avanço incrível das primeiras mulheres! Mas não me deixei enervar… Mantive o meu ritmo e deixei-me ir. As palmas eram imensas! Os homens que iriam partir 10 minutos depois, assim como as veteranas, foram um apoio incondicional. Entusiasmei-me e desci o Jamor mais rápido que o meu ritmo normal. Primeiro km a 4’11. “Deus ma livre!”

 

A descida do Jamor foi rapidamente substituída por uma subida tramada. Abrandei o andamento consideravelmente. Não queria dar o litro no início e quebrar no fim. Subi calmamente, a medo, por não saber o que me esperava. Consegui ultrapassar ainda algumas mulheres. A subida acaba e entramos na marginal. Pensei para os meus botões que iria aumentar o ritmo e recuperar o ritmo que perdi na subida, mas deparo-me com um dos meus maiores adversários: o vento.

 

Sofri imenso durante toda a recta até ao km 4 no retorno. Não consegui melhorar o andamento como pretendia. But move on… Agora é a favor do vento! Vou já no retorno, começo a ver os primeiros homens a passar do outro lado. Passado uns minutos, alguns colegas de equipa que me mandam gritos de apoio. Mantenho a passada animada mas eis que ela chega… A SUBIDA! Caramba para a subida! Dura, íngreme e comprida. Os primeiros homens passam-me à frente. Começo a sofrer… Soube ali que não iria ser fácil…

 

O resto da prova fora um misto de climas. Ora fazia vento, ora um calor insuportável. Sobe, desce, reta… Sobe, desce, reta… Vento e mais vento… Já vos disse que estava vento? Mantenho sem desistir, já desesperada tenho que admitir. E a dificuldade ia aumentar… Lembram-se da descida do Jamor e do meu primeiro km a 4’11? Pois é… Caros amigos, se desceu, vai ter que subir… E que subida! Subir o Jamor até ao Estádio Nacional. Muito sofrimento, mas também muito apoio do público. Não aguento das minhas pernas e acabo por abrandar imenso. Sou ultrapassada. Deixo-me ir. Quero lá saber dos fotógrafos, quero é acabar isto! Vejo o estádio… Ganho forças para o sprint final. Vejo o 49… O meu pior tempo aos 10km do último ano. Um senhor dá-me um high five e os parabéns pela minha prova. Faço o que não se deve fazer: sento-me. Mas tinha mesmo que ser.

 

No fim de contas acabo por ficar feliz pela prestação. Foi de todo a prova de 10k mais difícil que já fiz. Mas é algo que aconselho a todos… Apesar da sua dificuldade, a ideia ali, pelo menos para mim que não sou profissional, é a experiência. Correr com os grandes faz-nos sentir incríveis! E o dia vale a pena. Passar o dia entre grandes atletas e amigos num local lindíssimo.

Para o ano lá estarei, com a promessa de me preparar com uns treininhos de rampas, algo que vos aconselho caso 2019 seja a vossa estreia no Campeonato Nacional de Estrada.

(fotos de Luís Duarte Clara e José Silva)

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