7168352611203709 Running & Medals - Artigos - Corrida Fim da Europa

CORRIDA FIM DA EUROPA - RESCALDO

Running & Medals

Data de publicação: 28/01/2018

Decorreu esta manhã em Sintra a 28a edição da mítica corrida Fim da Europa.

E há quem corra na zona de Lisboa que não sinta um carinho especial por esta vila histórica no nosso país? O mais natural é que os trilhos da serra sejam procurados por quem faz trail ou BTT, mas chegando o dia desta prova as atenções viram-se para a estrada e para um percurso que tem tanto de exigente como de belo.

Sejamos sinceros, há algumas razões para não se gostar desta prova ou para se torcer o nariz na altura da inscrição:

- A logística é complicada, a começar pelo transporte. Quem opte por deixar o carro na Azóia e apanhar os autocarros fornecidos pela organização tem que chegar muito cedo. Quem usar o transporte no final demora também bastante tempo a regressar a Sintra. A logística é complicada, mas funciona.

- O preço não é o mais convidativo, sobretudo se incluirmos o transporte. Mas o transporte funciona, tal como funciona o transporte de bagagem da partida até à meta que permite aos atletas terem uma muda de roupa ao chegar ao Cabo da Roca.

- Não há medalhas. Talvez tenha sido a queixa mais audível, logo seguida pelo facto de também não haver prémios de escalão, apesar de existir a respectiva classificação. E falando em escalões, os mais puristas podem também alegar que não é correcto não haver a mesma divisão de escalões para homens e mulheres.

- Dois horários de partidas - que são essenciais para que os atletas possam fluir nos três longos quilómetros iniciais. Os atletas que queiram competir para a classificação geral têm que se inscrever na primeira partida e os mais rápidos que estejam na segunda acabam por ter que ultrapassar muitos da cauda do pelotão que tenham saído na primeira.

Então o que é que faz com que muitos atletas queiram fazer sempre a prova?
Sintra e a sua magia.

O ambiente é sempre fantástico, a paisagem é apaixonante, o percurso é desafiante e não havendo outra prova como esta quem participa está sempre a comparar a sua prestação... consigo mesmo, nos anos anteriores. Alguém fala aos seus amigos do seu record aos 17kms? É impossível comparar esta prova com qualquer outra, tanto pela distância como pela altimetria, como pelo desafio no seu todo. Estamos perante um trail de estrada, com um desnível acumulado semelhante ou até maior que alguns trails com a mesma distância.

Ao mesmo tempo que decorre a prova podemos encontrar, como foi o caso hoje, vários outros grupos a aproveitar as maravilhas da serra de Sintra: a caminhar, de bicicleta ou nos trilhos. Muitos são também os atletas que interrompem a sua prova apenas para tirar fotografias da paisagem e de tudo o que os rodeia, sem se preocuparem com a falta que aqueles segundos vão fazer na classificação final. Porque vale a pena apreciar as coisas boas da vida que a corrida nos proporciona, sejam os amigos ou a paisagem.

Em relação à prova, estamos perante um trajecto que se tem mantido igual porque em equipa que ganha não se mexe. Os primeiros três quilómetros pela Estrada da Pena sempre a subir dão o mote para aquilo que se vai passar durante os restantes: uma montanha russa de emoções e um constante sobe e desce, mas que não assusta quem está habituado a este tipo de percurso nos seus treinos. E sejamos honestos, quem tem mais dificuldades não tem que ter vergonha de abrandar o ritmo. O quarto quilómetro promete começar a descer, mas logo nos mostra que era sol de pouca dura.

Depois sim, a prova dá um descanso aos atletas e começa a descer gradualmente até ao quilómetro 8, altura em que deixamos a EN247 e entramos numa zona mais mista com alcatrão mais irregular debaixo dos pés até chegarmos à famosa subida do quilómetro 10: diz o segmento do Strava que são 350 metros com uma inclinação média de 15%. Depois disto, pernas para que quero! Ao chegar ao cruzamento da Peninha são quase 6km finais sempre a descer com uma inclinação de -6% até ao Cabo da Roca. Da mesma forma que é preciso ter pernas para subir também é preciso ter técnica (e joelhos) para descer e aproveitar esta parte final da prova para compensar e melhorar o ritmo médio. A única surpresa é a rampa final a escassos metros da glória de cruzar a meta.

No fim há uma tenda gigante onde somos brindados com chá quente, água, fruta, napolitanas de chocolate e depois a zona da bagagem onde temos os sacos que deixámos no início com uma muda de roupa - quase obrigatória - para fazer face às condições climatéricas daquela zona. Hoje, por exemplo, estava um sol radiante mas bastante vento que não é compatível com a roupa transpirada que temos em cima do corpo.

É também na tenda e nos seus arredores que temos novamente oportunidade para (re)encontrar os nossos amigos e conhecidos e trocar todas as impressões sobre os 17km que acabámos de correr. E da mesma forma que se ouvem lamentos sobre a falta de medalha, também se escutam planos ambiciosos de regresso no próximo ano. "Foi a primeira vez que vim, estava um bocado a medo, mas agora que já conheço a prova e o percurso para o ano estou cá novamente para atacar o tempo que fiz." - frase dita por um atleta que teve logo aval positivo de quem estava ao seu lado. E não se pense que isto é só uma ideia daqueles que fazem tempos supersónicos. Os atletas com marcas mais modestas também fazem planos para voltar porque agora que já terminaram já começam a esquecer as dificuldades da prova. Querem voltar porque depois de passar a meta tudo o que viveram de positivo vem ao de cima e pesa mais na balança do que as dificuldades. Porquê? Porque Sintra é um sítio mágico.

Até para o ano, Sintra. Até para o ano, Fim da Europa.

(fotos de Fim da Europa)

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