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MARATONA DE SEVILHA

Carlos Gomes

Sport Comércio e Salgueiros

Data de publicação: 07/03/2018

Já com algumas provas de 10km nas pernas e também algumas meias maratonas, decidi fazer a prova rainha do Atletismo: a Maratona.

Comecei a correr há cerca de três anos e sabia que para realizar esta experiência, tinha de ter alguma competição na modalidade. Treinando com amigos experientes e orientado por uma excelente atleta que me traçou um plano de treino semanal, lá ia eu participar em inúmeras provas de estrada com vista à maratona.

Já me tinham falado da maratona de Sevilha, que era fantástica a nível do apoio do público e eu sempre disse "Então vai ser a minha primeira."

Tracei metas em Janeiro para o ano de 2017 que eram bater o meu recorde pessoal da meia maratona de 1:41 feita no Douro Vinhateiro 2016, bater o record dos 10km que estava em 40 minutos e no ano a seguir fazer a maratona de Sevilha.

Foi um ano de 2017 de muito treino e bastantes competições, mas sempre com foco em fazer a maratona a um bom nível.

Os recordes acabaram por ser batidos e com marcas excepcionais para um atleta amador que jogava futsal.

Meia Maratona - Porto - 1:23

10km - Volta a Paranhos - 36:23

Faltava a marca da Maratona.


Inscrevi-me para Sevilha 2018, aconselhado por bastantes amigos que já a tinham feito e disseram que era memorável.

Comecei o meu plano em Outubro de 2017 com o objectivo se fazer 3h/3h15. Plano organizado pela minha treinadora com algumas competições em treino pelo meio. Seria uma marca bastante aliciante para uma estreia.

Os treinos correram muito bem, o plano foi cumprido na íntegra, sem qualquer lesão, estava preparado. No início do ano 2018 a minha última preparação para a maratona incidia numa prova de 21km em ritmo de treino e outra de 10 em ritmo competitivo para esticar um bocadinho, isto em Janeiro, pois em Fevereiro era pra baixar a carga e descansar.

Inscrevi-me na Meia Maratona de Viana e na Corrida do Adepto em Braga.

Resultados:
1h30 em Viana

36 minutos em Braga

Objectivo cumprido mais uma vez.


Estava mais que preparado, era só meter uns kms em Fevereiro e no dia 25 fazer uma boa maratona.


Chegava o dia 23. Pelas 14h, juntamente com 4 amigos, viajamos para Sevilha ainda a tempo de jantarmos lá neste dia, de modo a descansarmos o dia anterior inteiro, que seria bastante importante.

Sábado foi dia de passeio pelas ruas e monumentos locais, passando por alguns emblemáticos como a Praça de Espanha, mas primeiro o levantamento dos dorsais na FIBES.

Final da tarde regressamos ao Hotel de modo a descansarmos para a prova.

Descansar sim, dormir foi complicado, a ansiedade era mais que muita, foram muitas batalhas travadas e muito suor gasto pra chegar ali e naquele momento só pensávamos na linha da meta.

Lá se dormiu 2 horitas. Pequeno-almoço às 6h da manhã. Chegada ao estádio às 7h.

E aqui vem o primeiro arrepio do dia: o Estádio Olímpico! Vi o pórtico da meta e só pensava "Quero chegar bem aqui!"

Um cafezinho no bar e 8h siga para aquecimento, do estádio até ao local da partida. Eu e os meus amigos fizemos o aquecimento, estava quase.

8h20 entramos na box destinada e era altura de manter o foco na prova e pensar em todas as pessoas que estão connosco a ver na aplicação ou torcer por outros meios, eles sofrem mais que nós.

8h30 tiro de partida

Parti bem, a 4:15, um ritmo bom para mim porque era mais ou menos isto que queria fazer até aos 30km.


Passagem aos 10km, 42 minutos, tudo impecável.

Passagem aos 21km, 1h29, tudo normal.

Passagem aos 28km, 2h, sentia-me bem mas sabia que o mais difícil vinha aí. Durante a prova nunca festejei nenhuma marca porque não sabia o que estava para vir.

As coisas começaram a ficar complicadas ao km 33, passo de 4:20 pra 5:20 sem sequer ter gerido nada, as pernas começavam a falhar, mas eu sentia que podia mais. Km 34, 5:40... Pensei para mim “O que se passa???”. O que é certo é que o ritmo começou a aumentar sem que eu quisesse aumentar o ritmo. Aliás, era aqui que eu devia baixar, foi aí que eu pensei no tal muro que muita gente falava e eu nem sequer o conhecia.

Ao km 35 sofro uma queda, tudo falhou completamente, eu caí e por momentos pensei que tinha acabado ali a minha prova. O que é certo é que um popular levantou-me e gritou “Animo Animo! Fuerza Campeon!” Fechei os olhos e comecei a pensar em tudo, nas pessoas, nos treinos, nas mensagens, pensei em tudo menos em desistir.

E recomecei devagar. As pernas correspondiam e eu sorria porque eu ia acabar a prova . Ali o tempo já era subjectivo, queria acabar e mais nada.

As cãibras apareciam mas eu continuava. A alma e o coração me levavam pra frente, o público excepcional em todo o percurso carregava-me até à meta.

Passagem ao km 38 na Praça de Espanha eu só fechava os olhos pra me concentrar e focar na prova. As dores eram passageiras e quanto mais me doía mais eu corria. Pensei para mim que quanto mais depressa acabar, menos tempo vai doer.

Passagem na Catedral também com muito povo. Aí faziam cordão humano para passarmos. Brutal mesmo! A dor? Era temporária. A glória ia ser enorme.

E eis que chega um momento inacreditável: nas imediações do Estádio Olímpico havia um mar de gente, no túnel a polícia afastava as pessoas para os atletas passarem. O apoio desta massa humana vai ficar comigo para sempre e lá vinha eu num ritmo que não queria mas era o que dava naquela altura. Cheio de dores, cansado mas feliz, eu só sorria porque estava a chegar.

A entrada no estádio ao km 42 foi apoteótica! Momentos que só via em televisão e naquele momento era eu que estava ali. Puxo da bandeira do meu clube e decido fazer os últimos metros com ela.

A partir do km 35 nunca mais olhei para o relógio. Ao chegar à meta e olhar para o relógio reparava em 3h13, ou seja, abaixo das 3h15...

Verdadeiramente impressionante. Estreava-me na maratona com a marca 3:13, acho que não é para todos. Foi uma grande estreia nesta distância, eu estava felicíssimo, já nada me doía, já conseguia correr, saltar e festejar...

Foi um dos dias mais felizes da minha vida. A primeira Maratona é mesmo inesquecível.
Hora de receber a tão merecida medalha e gravar a minha marca, depois uma passagem pelas massagens e aterrar um bocadinho no relvado exterior e informar a família e os amigos sobre o feito alcançado.

E foi assim. Espero que tenham gostado de ler a minha experiência. Aconselho esta maratona a todos, Sevilha é mesmo de Ouro.

Decidi partilhar também a minha experiência nesta prova porque eu acho que devem respeitar a distância. A Maratona não é moda, é uma prova bastante exigente a nível físico e mental. Implica bastante treino e alguma experiência em provas de 10 e 21km.


Respeitem a distância por favor senão vão pagar muito caro e pode vir a ser prejudicial à saúde. Dou o meu exemplo a todos: treinem bastante, façam bastantes provas e tracem um plano certo. Escolham a maratona, vejam a data e 4 meses antes comecem a prepará-la.


Continuação de bons treinos e boas provas a todos.

A Maratona é mesmo uma festa, tudo vale a pena, pois não há palavras pra descrever tanta alegria ao cortar aquela meta!

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