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RUMO À MARATONA DE SEUL 

José Pedro Baptista

Autor do blog Correndo com Zátopek

Data de publicação: 06/08/2018

SEMANA 5


► Distância total: 67.5 Km (90% de 75 Km)

► Ritmos-alvo: E (4:38-5:14), M (4:14), T (4:00), I (3:41), R (3:25)


Segunda-feira

 7.5 E

Terça-feira (Q1, 25 Km)

3.5 E + 3 T + 0.4 E + 3 T + 11.9 E (60 min E) + 1.5 T + 1.7 E

Este é daqueles treinos que parecem simpáticos no papel, mas se revelam traiçoeiros, porque nestas condições os 60 minutos E castigam ao invés de regenerar. Se, em Portugal, “gaivotas em terra, tempestade no mar”, na Coreia, “velhotas deitadas à beira rio a abanarem leques furiosamente, sofrimento no treino”. Correr depressa é mais difícil que devagar, mas o tempo de exposição a este banho turco ao ar livre acaba por ser o que mais fustiga o corpo e a mente. Com uma lua laranja a fazer de sol e sensação de 35ºC às 21:30, foram 122 minutos a definhar. Não consegui cumprir a terceira série T, a mais curta, abaixo dos 4:13/Km de tolerância: apesar de dar tudo (eram só 1.500 metros) as pernas de marioneta ficaram a 7 segundos do alvo. Desta vez, parei cinco vezes para me molhar… um alívio muito passageiro.

Quarta-feira

 Descanso

Quinta-feira

 10 E

​Com o ginásio fechado toda a semana (o treino de segunda-feira foi feito no ginásio de um hotel de altíssimo gabarito em Pyeongchang, onde se realizaram os JO de Inverno), armei-me em cientista do antigamente (eles testavam as invenções no próprio corpo, à homem, em vez de torturarem ratos, macacos, etc.) e saí para 10 Km sem água. O dia anterior tinha sido o mais quente desde que há registos e este não lhe ficou atrás. À noite arrefeceu, mas com a humidade alta o heat index era de 38ºC, foi uma experiência terrificante, uma morte lenta em movimento. A conclusão do estudo: uma merda.

Sexta-feira

 5 E

Mais uma vez na rua, mas com metade da distância percorrida. Quente e húmido, como sempre, mas apenas 25 minutos que não afligiram.

Sábado (Q2, 20 Km)

 10 E + 5.2 I (5 x 4 min c/3 min E entre séries) + 2.5 E

Ciente da dificuldade deste treino, comecei o mais tarde possível. Às 21:30, com sensação de 32ºC e dez segundos de margem (3:51/Km em vez de 3:41/Km) para os intervalos I, senti-me confiante e jovial, contrastando com o homem condenado à forca dos dias anteriores. Os 10 E iniciais, com duas paragens para arrefecer o motor, não foram difíceis, mas no regresso, tudo mudou: à excepção da primeira das cinco séries, tive que me concentrar no urso violador que me perseguia para não ceder às pernas que pediam clemência. Cumpri no limite, com uma pirâmide invertida (3:47, 3:50, 3:55, 3:52, 3:49), precisamente com a média de 3:51/Km.

Domingo

Descanso

Resumo da semana

   Ritmo    Tempo       %

     E       4h41     84.4

     M       0h00      0.0

     T       0h32      9.6

     I       0h20      6.0

     R       0h00      0.0

Na terceira (de quatro semanas) de 67.5 Km, encontrei grandes dificuldades: a mudança de casa, a falta de ar condicionado (a lista de espera para a instalação é longa), o ginásio fechado, as férias da criança, o passeio a Pyeongchang (mais cansativo que relaxante), as noites mal dormidas e o tempo quente, cortesia do FMEC (Fim do Mundo em Curso), dificultaram muito o cumprimento do programa. A semana foi dedicada a ritmos acima do ritmo-alvo, com isso aumentando o VO2Max e habituando o corpo a correr mais depressa sem entrar em pânico, para que no dia-M os 4:14/Km não pareçam tão vertiginosos.

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